segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vantagens de ser ter um amigo gay (compreenda aqui gay: homem ou mulher homossexual) - Kate




Você já deve ter se perguntado umas mil vezes, aproveite para se perguntar agora uma vez mais, por que danado, fulana/fulano é gay??? Como é que pode um homem igual a mim, cheio de pêlos na cara preferir se agarrar a outro marmanjo a beijar a boca deliciosa de qualquer mulher? Como é que pode uma mulher como eu, não preferir um homem com pernas musculosas entre as minhas à uma mulher, que eu sei exatamente como é cada parte do corpo????
Pois é, a questão pode até ser assim, simples, na sua cabeça, mas o raciocínio não passa por aí. Você, mulher na flor da idade, já se arrepiou toda por ver passar ao seu lado aquele cara alto, musculoso, com um sorriso lindo e uma voz que lhe deixa zonza? E você, homem com os hormônios explodindo, já ficou “de pau duro” só de ver aquela vizinha da frente na janela tirando a roupa? Então, você sabe exatamente como é sentir-se atraído por alguém, não importa como você raciocine. Pois o cara alto, musculoso, com um sorriso lindo pode ser o namorado de sua amiga e a vizinha gostosa pode ser a mãe do seu melhor amigo, mas o que vocês vão fazer se gostam disto???? É assim mesmo que um gay sente. Ele não se sente atraído por uma mulher gostosa, mas pelo cara alto, musculoso... e isto não é algo que dependa da vontade dele. Então você, homem, já não virou o pescoço para dar aquela espiada na bunda da vizinha e você, mulher, já não passou mil vezes na frente do amigo do seu irmão, porque quer que ele a note? Lembre-se, você não escolheu gostar tanto de abacaxi e detestar vitaminada de abacate.

Por isto, se seu amigo teve coragem suficiente para dizer que é gay, numa sociedade que espera muito de todos nós, não o recrimine, nem fique pensando que ele ou ela vai te agarrar, afinal, você não se sente atraído por todas as mulheres ou homens do mundo, não é mesmo? E é mais provável que seu amigo, gay recém revelado, queira apenas continuar sendo seu amigo, e pronto. Queira compartilhar de suas angústias e frustrações, de suas conquistas e amores, como um simples ser humano que ele é, no fim das contas.

Vamos listar algumas vantagens de se ter um amigo gay:

1ª vantagem: a mais óbvia de todas – se vocês são duas mulheres, vai sobrar mais homem no seu pedaço para você azarar. Sua amiga não fará a menor questão de olhar aquele bonitão na praia que olha na direção de vocês e você não tem certeza de qual das duas ele está interessado. Inclusive ela até pode te ajudar passando informações de que ele esteja olhando ou não quando você se virou. Ela será uma grande aliada. É verdade que também você terá que ajudá-la em suas conquistas, mas pelo menos você não correrá o risco de se cair na música do Roberto: “estou amando loucamente a namoridinha de um amigo meu...rs (no seu caso, de uma amiga minha...).

2ª vantagem: se você é mulher e seu melhor amigo é gay, tenha certeza de que ele lhe dará as melhores dicas e será capaz de responder àquelas suas dúvidas cruéis de que roupa deverá usar para conquistar aquele homem maravilhoso, qual papo ajudará a chegar junto, o que os homens mais detestam e montes de segredos que nenhum homem jamais ousaria contar diretamente a uma mulher. E se ele não for muito vistoso, assim, obviamente gay, até poderá fazer a linha contigo em algumas festas. Você sabe o quanto uma mulher acompanhada chama mais atenção de que chegar sozinha numa boate. Aproveite seu amigo para esbanjar seu charme e chamar atenção. É verdade que talvez seu amigo lhe cobre este favorzinho depois... mas você jamais correrá o risco de namorar um frutinha, pois ele cheirará o cara quilômetros de distância.

3ª vantagem: você terá o dobro de amigos que tem agora, pois seu amigo/amiga gay conhece zilhões de outros gays, assim, sua rede de relacionamentos será mais extensa. Você terá mais possibilidades no mercado, pois na lógica, todo aquele pessoal gay que você vai conhecer tem irmãos e irmãs, primos, primas, amigos, amigas... Pense!

4ª vantagem: nesta sociedade moderna não poderão jamais chamá-lo/la de antiquado pois você tem amigos de todas as tribos.

5ª vantagem: Já viu as festas espetaculares que os gays promovem? Você vai se esbaldar de tanto dançar! Virará noites se divertindo o que afinal é o que importa nesta vida.

Nestes dias de Parada do Orgulho Gay, eis aqui algumas pequenas vantagens de ter ao seu lado um(a) amigo(o) incrível que a única diferença que tem de você é beijar a boca de alguém do mesmo sexo. E pode ter certeza, não é algo que se escolhe, mas que se vive!

sábado, 13 de junho de 2009

Do mar e de suas lembranças - Kate




Moro numa cidade litorânea, com praias belíssimas e recentemente me mudei para um bairro perto da praia.
Já faz uns 3 meses que estou aqui no bairro e minha relação com o mar maravilhoso pertinho era só de vê-lo na ida para o trabalho ou umas duas caminhas mornas pelo calçadão.
Esta semana entrei no mar. E uma tonelada de lembranças povoou minha mente.
Para tornar o banho saudosista, uma recém amiga entrou comigo e ficamos batendo papo sobre o mar e nossas lembranças.
Lembrei que era exatamente assim que ficava com meus pais, tios e avô nas águas quentes da praia de Genipabu nas minhas férias de adolescente. Meus irmãos e primos iam logo cedo para a praia tomar sol e banho de mar enquanto eu ficava enfiada numa rede lendo meus livros e esperando a tarde chegar quando todos os adultos fechavam a casa e descíamos para a praia. É verdade que algumas vezes fui também tomar sol pela manhã, mas nunca soube dosar a quantidade certa e acabava por descascar a pele. Já dormiu com as costas ardendo? Não dá pra dormir...rs.
Então o mar além de todas as energias e beleza estonteante, me faz lembrar da infância, adolescência, da família, de brigas e muitas gargalhadas.
O mar é todo este furor e impetuosidade que a gente pode ver, a espuma lambendo a areia branquinha, as ondas quebrando com força e a vista se perdendo na linha do horizonte...
Tudo de bom.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Do bom de sentir saudade - Kate




Sei que estou ficando velha.

Não pelos anos que me são acrescentados, nem pelo fio de cabelo branco que já encontro todos os dias em minha basta cabeleira.

Sei que estou ficando velha, porque olho os jovens com mais doçura, com uma suave melancolia e sinto uma pontada de inveja quando observo hordas de garotos adolescentes atravessarem na faixa de pedestres à minha frente com o suor lhes manchando as camisas e um ar de triunfo no rosto imberbe.

Sei também porque os tempos de minha adolescência me parecem cada vez mais doces e distantes. Todas as agruras e incertezas que enfrentei, aqueles problemas abissais que me pareciam insolúveis e dolorosos, me trazem hoje um sorriso ao rosto.

Os tempos infantis, as brincadeiras de minha infância das quais esqueci as cantigas me parecem ter ocorrido noutra galáxia, noutro universo. O garrafão desenhado a giz branco no asfalto, o ônibus escolar que nos apanhava na porta de casa, os copos de amendoim que ganhei nas merendas da escola, além dos rasgões nas calças e os sermões dos professores parecem ter acontecido a outra pessoa. Parecem cenas de diversos filmes que assisti ao longo da vida. Todas as lembranças se misturam em minha mente e, boas ou ruins, todas me trazem saudade.

Gostaria de poder fazer-me entender pelos que passam pela infância e juventude agora. Gostaria de mostrar o filme do que é ser adulto. Ser adulto é ter saudade de um tempo que não volta jamais. Ser adulto é enfrentar as dores e o medo e não ter a barra da saia da mamãe para agarrar.

É por este discurso que tenho certeza de que estou ficando velha, mas não abro mão da juventude e da leveza que ainda habitam dentro de mim.


PS . Tenho 35...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um novo começo - Renata


Ontem, 13 de maio de 2009, completei 27 anos de vida. Desde que me tornei adulta sinto meus aniversários como ritos de passagem. Recordo os momentos mais significantes de minha vida e tento antever o que ainda está por vir de acordo com os desejos ainda não concretizados.

Este ano, mais do que todos os anteriores, percebo meu aniversário claramente como um novo ano que se inicia em minha vida pessoal e profissional, ambas diretamente ligadas.

Semana passada comecei num novo emprego cheio de desafios. A cada um deles que transponho, percebo que minha confiança em mim mesma como pessoa e como profissional se fortalece e vai, aos poucos, amenizando minha insegurança.

Há algum tempo, tenho buscado um equilíbrio interno, aquele sobre o qual Kate escreveu neste blog. Um estado de espírito que nos mantém serenos e sábios para tomar decisões em situação de estresse, cada vez mais corriqueiras.

Saio para o trabalho todos os dias no mesmo horário e, geralmente, sei o trânsito que irei enfrentar e em quais pontos de meu trajeto. Porém, há dias em que esta porção de trânsito é maior do que eu esperava e, portanto, é preciso pensar rápido em alternativas para chegar ao trabalho.

Situação boba, alguns podem pensar, mas quando se agenda uma gravação ou uma reunião e há outros profissionais contando com sua pontualidade, o estresse e o medo de não chegar a tempo podem ser desgastantes.


Para este novo ano de minha vida desejo pensamentos mais saudáveis, paz de espírito, desejo sentir as coisas exatamente do jeito que elas são, sem exagerar nada; gostaria de substituir a melancolia pela serenidade e assim transformar minha vida numa caminhada mais leve.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A solidão de todos e de cada um - Kate



Sinto minha solidão diminuir.
O infinito sempre me pareceu maior aos 12 anos,
quando a noite se avolumava pra dentro de mim,
trazendo consigo todas as interrogações que ainda carrego, tanto anos depois.

Sim, tenho solidões menores.
O vento frio de hoje fustiga-me menos de quando daquelas longíquas noites infantis.
Aterrava-me a noite.
Hoje tenho somente um medo controlável do negrume silencioso que nos acomete todos os dias.

Assim, com a gradativa proximidade do fim, o medo diminui,
o costume se instala e quase chego a ansiar que já se acabe.

As solidões se acumularam e acostumei-me com elas.
Vêm sozinhas ou acompanhadas,
sentam-se ao meu lado e me compreendem profundamente.
Não preciso falar ou chorar como antes,
apenas respirar suavemente,
deitar meu olhar no infinito e aguardar até que me deixem em paz uma vez mais...

domingo, 29 de março de 2009

Libertando Segredos - Renata


Há uma frase de Oscar Wilde que ouvi há alguns anos sobre dar forma à tristeza e assim torná-la querida para si mesmo. Esta frase muito me marcou, achei-a forte e bastante significativa. Depois disso, li Rilke sugerindo ao jovem Kappus que este escrevesse sobre sua própria existência cotidiana, suas mágoas e seus pensamentos passageiros em relatos íntimos, humildes e sinceros.

Desde que iniciamos este blog, Kate e eu temos dado forma a nossas dores, angústias e reflexões cotidianas e por meio delas nos expomos um pouquinho a cada postagem. Às vezes, ultrapassamos um pouco nossa linha de segurança e nos mostramos um tanto mais do que havíamos cogitado, mas isso é bom. Creio que mantemos muito de nossa privacidade - ambas prezamos muito isso - mas, também fazemos o exercício de equilibrá-la com o colocar-se ao mundo para, assim, poder vivê-lo plenamente.

Eu sempre gostei de conversar sobre o inefável, assim como racionalizar o que está além da razão. Às vezes, isso cansa, porque exige muita reflexão e liberdade imaginativa para fazê-lo, mas acho que se eu não o fizesse, já teria enlouquecido.

Considero-me uma pessoa racional - mesmo que nem sempre eu consiga agir dessa maneira - entretanto, minha percepção do mundo sempre se deu através de sensações que vão além da razão. Ainda criança eu podia sentir a tensão entre meus pais quando eles estavam em vias de brigar; quando se é adolescente ou adulto, tem-se ferramentas racionais para perceber coisas desse tipo, mas eu tinha menos de 7 anos e sentia tudo, sem racionalizar. Nem preciso dizer que tive vários problemas de saúde decorrentes de fundo emocional.

O bom de tornar-se adulto é o acúmulo de conhecimento que vem com os anos e com as relações sociais. São essas experiências que fornecem elementos para a compreensão do inefável, do irracional que rege nossa existência racional. Um entendimento que vai além da classificação racionalista, mas que nos permite aceitar, sem muitos traumas, a movimentação do Universo, mesmo que, por vezes, esse movimento siga um curso inefável.

A arte dá formas a esse movimento universal amorfo: sentimentos, percepções, sensações. Dizem que uma das características mais marcantes de Frida Kahlo foi o fato de ela ter dado uma forma para a dor, sua companheira inseparável desde a infância. Quando quiseram denominar seu trabalho de surrealista, Kahlo disse que pintava a si mesma, um tema que conhecia profundamente.

Frida Kahlo pintou a dor para poder suportá-la e a pintou lindamente porque a conhecia intimamente.


Escolhi o cinema para dar forma às minhas dores e este blog tem sido um exercício com o qual vou aprendendo a transformá-las em textos, expondo um pouquinho do meu íntimo a cada postagem. Dessa maneira, sou capaz de viver um dia de cada vez sem, no entanto, enlouquecer.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O que será? Pra que será? - Kate



Já amadureci
Já engulo o choro
E me escondo no banheiro

Já amadureci
Já sei conversar sem atenção
E rir sem achar graça

Por educação

Amadureci
Agora já posso ser comida


20/03/09
(Pra quê?)